Mesmo traído, Ele partiu o pão!

•04/11/2011 • 1 Comentário

Muita gente ainda se questiona sobre o propósito de Jesus escolher Judas Iscariotes como um de seus discípulos. Muitos ainda pensam que não era pra ser assim, que era para ele ser um apóstolo bem sucedido e tudo mais. Mas não foi. E Jesus sabia e ainda sim o escolheu!

Tudo na vida de Jesus foi didático e pedagógico. Repartir o pão e sentar-se à mesa com um traidor não foi diferente. O que não significa que foi fácil. Mas quando olho para a complexidade dos relacionamentos humanos, seja no contexto global, familiar, afetivo e – principalmente – no contexto da igreja, fica cada dia mais evidente a importância dessa atitude de Jesus.

Importante por que ali, naquele momento, ele poderia – com a aprovação de todos – excluir Judas da sua vida. Porém, quando não o fez, tornou-nos indesculpáveis. Indesculpáveis de nos justificarmos quando somos ofendidos, traídos e magoados por quem quer que seja.

Sinceramente sei o quanto pesa o que escrevo aqui, pois quando olho pra mim vejo que por muito menos sou tentado a levantar muros de separação, desistir das pessoas, ficar ressentido, frustrado e deixar de repartir a minha vida com elas.

Não sei se você acredita em Diabo, “capeta”, Satanás ou qualquer que seja o nome. Mas se existe um objetivo claro na vida desse ser é destruir relacionamentos.

E nesses dias, quando vejo pessoas que viviam como família, como irmãos, desistirem umas das outras por muito menos do que uma traição, entendo o quanto precisamos olhar de novo para essa cena – a cena em que o pão foi partido. Partido em favor da relação, da unidade, dos seus irmãos.

Com certeza seria mais fácil se todos nós fossemos bem resolvidos, de fácil trato. Mas até lá, que eu e você possamos comer desse pão e sermos cheios do poder da reconciliação!

Um caminho de esperança!

•04/10/2011 • Deixe um comentário

No caminho que percorremos em busca do conhecimento de Deus nos deparamos invariavelmente com novas perspectivas a respeito da vida. Perspectivas que geralmente nos levam a ver o mundo com outros olhos e chegar a conclusão de que muitas coisas estão fora de eixo, desequilibradas. Percebemos que o “padrão” de Deus está acima do nosso, que temos muito a melhorar.

Em contato com essa nova realidade, o próximo passo seria aprender e de alguma forma interferir, dentro do limite de cada um, nesse desequilíbrio, trazendo um pouco de ordem ao caos, um pouco de vida em meio a tanta morte e ignorância a respeito do amor de Deus.

Deveria ser assim, mas eu e você sabemos que na prática muitas vezes o que ocorre é nos tornarmos especialistas em reconhecer o que está errado, principalmente quando o errado está no outro. E quando se trata do outro, nossa tolerância, nosso tato, nossa gentileza, não são nada abundantes. Consequentemente, a didática torna-se ineficaz e o que deveria ser ensino vira acusação e se há algo que não falta nesse mundo são acusadores. Definitivamente esse não é o nosso papel!

Parafraseando meu amigo e pastor Paulo Júnior: “A verdade sem amor mata, por isso ela deve estar sempre recheada de esperança!”

Assim como o profeta Ezequiel esteve diante de um vale repleto de ossos secos, assim muitas vezes somos nós diante da sequidão relacional do mundo! E assim como Deus o questionou, talvez sejamos nós questionados: “Poderão viver esses ossos?”

Talvez estejamos diante desses ossos, talvez até em meio deles, mas nosso papel é comunicar e viver novos valores, sendo profetas da verdade e da realidade mas deixando sempre evidentes a esperança e o amor!

Vinde a mim!

•30/08/2011 • Deixe um comentário

Ando cansado… bem cansado! E olhe que voltei de férias há apenas um mês! Percebo que não é um cansaço físico, mas mental, emocional, espiritual! Estar assim gera uma certa crise na minha cabeça, pois afinal, não era pra ser assim. Ou era?

Fico então perguntando pra mim mesmo e para Deus: Onde está o problema? E meditando um pouco nisso, creio que trata-se de foco, de direção, de sentido. Não se trata apenas do que estou fazendo ou deixando de fazer, mas POR QUÊ estou fazendo.

Nessas horas, penso que é tempo de voltar a ser mais dependente da graça, do favor e da bondade Dele e menos da minha capacidade, experiência e opinião. É tempo de parar e refletir, de ouvir mais e falar menos, de me aquietar na Sua presença, e nela ficar. É tempo de me submeter mais e sugerir menos, amar mais e esperar menos dos outros, tempo de me diminuir para que Ele cresça.

Quero, então, deixar o meu fardo de lado – que é a minha independência – e conhecer mais o fardo Dele pra mim, pois esse é leve e me permite caminhar sempre com as forças renovadas, pois nunca estarei sozinho!

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” Mateus 11:28

O que é ser Cristão? Por Keith Green

•17/08/2011 • 3 Comentários

“Eu não sei o que você acha que um cristão é. Conheço muitas pessoas que pensam que ser cristão significa ir muito à igreja. Você já deve ter ouvido falar isso antes, mas ir à igreja não te fará um cristão mais do que ir ao McDonalds fará de você um hambúrguer. Fazer uma uma oração não faz de você um cristão. As pessoas oram em todas as religiões. Mesmo orando a Jesus não faz de você um cristão. Ele diz que muitos virão naquele dia dizendo: Senhor, Senhor! E ele dirá: Afastem-se de mim nunca vos conheci. Ter os dons do Espírito ou parecer que você os tem não significa que você é cristão. Jesus diz: muitos virão a mim naquele dia:  Senhor, nós não expulsamos demônios e curamos os enfermos e ressuscitamos os mortos e todos os tipos de coisas? E Ele vai dizer a mesma coisa: Afastem-se de mim, nunca vos conheci. Você sabe o que é um cristão? Eu tenho uma definição muito boa: Alguém que é “bananas” por Jesus. Alguém que ama o Senhor com todo seu coração, toda a sua alma e toda sua mente e toda a sua força, e não se esqueça da segunda parte, que ama a todos, tanto quanto ama a si mesmo.”

Keith Green – 1953-1982

Deixando a inércia de lado

•08/08/2011 • Deixe um comentário

Vida cristã parece simples, mas na prática não é. Não porque deva ser complicada por natureza, mas porque nós, que somos complicados, geralmente complicamos até aquilo que na essência é uma mensagem simples. A história da igreja cristã é reflexo dessa complicação que por muitas vezes causou, e ainda causa, grandes estragos nas mentes das pessoas.

Muitas nações já foram quase na sua totalidade cristãs e deixaram de ser também quase por completo. Outras que não eram, passaram a ser, mas correm o risco de seguir o mesmo caminho.

Definitivamente o problema não é então uma mera questão de quantidade de cristãos por metro quadrado, mas a qualidade da fé que aprendemos a ter e que consequentemente imprimimos na nossa vida cotidiana.

É perfeitamente normal que a nossa relação com Deus no início seja baseada nas nossas necessidades, nas coisas que precisamos ou queremos. Nossa tendência natural é nos aproximarmos de Deus na expectativa de termos nossos problemas resolvidos, nossos projetos aprovados, nossos desejos satisfeitos. É uma relação que ocorre apenas quando há demanda da nossa parte.

Isso pode até fazer parte da nossa “infância espiritual” mas com o passar do tempo, devemos amadurecer. Quando isso não ocorre, basta termos o problema resolvido, a vida financeira acertada, que deixamos de bater na porta de céu.

Esse tipo de relação em nada difere de procurar um terreiro pra pedir um “trabalho” de vez em quando ou de oferecer um sacrifício a um ídolo qualquer.

A relação que Deus quer estabelecer conosco vai além.

Ela fala de transmissão de natureza, valores, de mudança de entendimento. É uma relação onde não precisamos brigar ou implorar por favores, mas somos chamados pra sermos o favor Dele para outros, porque compreendemos que Ele já nos supriu em tudo o que precisamos: amor, perdão, graça, um novo modelo de vida.

Nosso desafio é conhecer esse novo modelo. Lutar contra nossa tendência de permanecermos numa relação infantil e caminhar para a maturidade. Nesse caminho com certeza estruturas serão abaladas, mas nossa fé será levada a níveis mais elevados. O DNA de Deus, que é o amor, será mais evidente nas nossas relações, mudando a vida das pessoas.

Esse é o verdadeiro poder de Deus. Não apenas a capacidade de fazer coisas para nós, mas de gerar mudança em nós e através de nós.

Ele é bom sempre!

Um Lugar de Revolução

•04/05/2011 • 2 Comentários

Há momentos em que nos vemos em lugares que exigem de nós mudanças radicais. São como ciclos que se fecham, dando lugar a novos, que nos permitem avaliar, rever e até mudar a direção. Isso pode ser chamado também de maturidade.

Um tempo assim aconteceu também para um povo bem conhecido, o povo hebreu, num evento narrado no livro de Josué.

Ali foram “chacoalhados” por Deus para reaprenderem princípios que haviam sido esquecidos, perdidos com seus antepassados. Princípios que seriam vitais pra entrarem numa nova fase, a chamada “terra prometida”, que para nós, pode não ser apenas mais uma terra, mas um novo nível de consciência e plenitude de vida e propósito.

Para aquele povo, algumas coisas foram tratadas naquele lugar, a principal delas, sua identidade. Para isso Deus os lembrou de uma aliança que tinham com Ele, aliança que revelava a eles sua origem, natureza e propósito.

Encontraram ali cura para os seus medos. Primeiro, para o de serem expostos uns aos outros, através da circuncisão que ocorreu de forma mútua. Segundo, para o de serem expostos aos inimigos, através da incapacidade de lutar com suas próprias forças.

Mas encontraram finalmente ali, a certeza de uma identidade, que em unidade, poderia levá-los não só à outra margem do Jordão, mas acima de tudo, à uma nova perspectiva de vida, não mais mera consumidora dos favores de Deus, mas frutífera.

Talvez no meio da confusão, de estruturas sendo abaladas e de perda de significado, Deus nos chame a esse lugar. Um lugar de reencontrar os princípios que se perderam no caminho. Um lugar de encontrar nossa verdadeira identidade. Um lugar de revolução.

“ Por isso, até hoje o lugar se chama Gilgal” Josué 5

Graça: O caminho pra cima e o caminho pra baixo – Escolha! (Por Caio Fábio)

•25/04/2011 • Deixe um comentário

Oséias 11:7 – “Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é ‘concitado’ a dirigir-se acima, ninguém o faz.”

Poucos textos me feriram a alma tanto quanto este, desde a primeira vez que o li. Hoje, entretanto, conversando com Adriana acerca de certos “espíritos humanos”, especialmente os bons e humildes, ela disse: “Se as pessoas mudassem de espírito, até o ar ficaria melhor”.

Então eu disse: “É claro. Leia Oséias 4: 1-4. Ela então, disse: “Recite-o pra mim”. Recitei-o. O texto diz que por causa da maldade da sociedade humana, a criação é afetada, e começa a morrer. Foi quando eu disse: “Se acontece para o mal, acontece para o bem”.

Entretanto, no ato de recitar para ela o texto, incluí um pedaço que não fazia parte da citação de Oséias 4, e que é o texto que está no cabeçalho desta minha conversa com você.

Achamos o texto e lemos: “Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz”.

Um pai, ou uma mãe, também poderiam, algumas vezes, dizer o mesmo: “Porque os meus filhos são inclinados a desviarem-se de nós; se concitados a dirigirem-se acima, ninguém o faz”.

Ou seja: a aplicabilidade de tal “inclinação do coração” frente à certeza do amor incondicional, paradoxalmente, na alma não-consciente e rasa, gera apenas um espírito de inclinação contrária ao amor de Deus.

Digo isto apenas porque o povo de Oséias sempre soube que Deus os amava, visto que o profeta que Ele escolheu para trazer Sua mensagem, teve, ele mesmo, que ser a mensagem; pois teve que amar e casar com uma mulher que o traía com todos os homens, assim como Israel traía o Senhor com as divindades de pau e pedra.

Ora, essa fuga de Deus é fuga do amor; e é, também, fuga de toda a perspectiva crescimento, pois não há meio de se crescer, e de tal crescimento tirar algum proveito, se o amor não for a seiva desse crescimento. Paulo disse que sem amor, por exemplo, o conhecimento apenas “incha”, mas que somente o amor edifica, constrói, e faz crescer aquilo que é eterno em nós.

O contrário disso, que é a fuga do amor e do crescimento nele, produz sempre a “Síndrome de Peter Pan Espiritual”. A pessoa acha que é de Deus, e, nesse mesmo momento, começa a se inclinar para longe Dele; pois é melhor pensar que se é de Deus de modo “marcado como gado”, do que ser de Deus porque nosso ser é e cresce em Deus.

Estranhamente, qualquer “certeza jactante” acerca de se ser “povo de Deus”, produz essa tendência a se “inclinar” para longe de Deus, posto que a jactância dessa “gloria” já significa o próprio afastamento de Deus; pois, só se jacta de “algo” quem acha que possui a coisa ou por ela é possuído (até mesmo quando a “coisa” é “Deus”); e isto numa perspectiva de “status”, e não de amizade e relacionalidade com o Criador e Pai.

Nesse ponto o ser se esquizofreniza. Sim, confessa-se de Deus, mas odeia a idéia de crescer, de seguir acima, visto que tal implica em entrega, e permanente sondagem do coração e seus múltiplos intrincamentos e entroncamentos. Aqui é quando “ser povo de Deus” mata a possibilidade de um continuo crescimento, aceitando a vocação, o chamado, o eterno concitamento divino para que o ser vá “para cima”.

Toda a profecia de Oséias trata acerca de como o amor incondicional de Deus, expresso pelo “profeta-corno”, mas que seguia sendo bom e misericordioso com Gômer, uma goma de mulher, e que ilustrava Israel, a prostituta, adultera, amada de Deus, assim como Gômer era amada por seu marido-profeta.

Na existência cotidiana é o mesmo que acontece. Pessoas boas, geralmente são abusadas. Os que se esforçam pelo que é bom, acabam carregando todas as responsabilidades. Os que amam incondicionalmente, sempre são incondicionalmente provocados em seu amor. Pois quem diz crer em Graça, esse tem que provar e praticar a Graça recebida nas relações horizontais, nas quais Deus freqüentemente nos põe “no lugar Dele”, no que tange ao exercício do perdão.

Assim, a salvação de Oséias, de Gômer e de Israel, estava em que Oséias perdoasse a mulher que contra ele adulterava por mero prazer. Mas se Gômer não se convertesse, ainda que incondicionalmente amada, provaria, por suas próprias mãos, todas as conseqüências de seus atos.

“Oséias nunca me deixará”, pensava ela enquanto se divertia em traições!

E, por tal certeza de amor contra ela mesma, ela se inclinava para longe do verdadeiro amor, e concitada a ir para cima, para um outro piso de existência, ela, porém, apenas se abismava mais.

Desse modo, a percepção leviana da Graça de Deus, ao invés de curar a alma, pode colocar a pessoa na falsa idéia de que crer que Deus nos ama, isso é algo que em si mesmo, e nos poupa de ter que amar com fidelidade a quem nos ama.

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos”, disse Jesus, para então acrescentar que esse amor por Deus só pode ser visto como “amor de uns pelos outros”.

Estou escrevendo isto porque depois de ficar quatro anos, aqui no site, tentando tirar “neuroses e paranóias da cabeça de crentes”, creio que chegou a “Hora” de dizer que a grande tentação agora é um “crer-mal” no amor de Deus; e, assim, ao invés de aceitarmos o chamado “para cima”, nos ponhamos no caminho de Gômer, a qual, confiada no amor de Deus em Oséias, quanto mais amada, mais atolada ficava no caminho de baixo.

A Graça nos acompanha até o abismo, qualquer abismo, mas não deseja fazer sua residência na ambiência espiritualmente cínica de quem diz crer, mas nunca aceita o convite para crescer. Sim, como disse Pedro, “crescer na Graça e no conhecimento” de Deus.

“Meu povo perece por falta de conhecimento”, disse Deus por Oséias. A questão é que “conhecimento de Deus”, conforme Jesus e a Palavra, não é “informação” acerca de Deus, o que é estultícia do ponto de vista da Palavra revelada.

Conhecimento de Deus, conforme a revelação, é sempre conhecimento “experiencial”; portanto, é conhecimento na Graça que nos converte pelo amor divino.

Desse modo, todo verdadeiro conhecimento de Deus em amor e graça, nunca nos deixa contentes no caminho estático, porém, célere, na direção do buraco da existência. Ao contrário, o verdadeiro conhecimento de Deus muda o ser, e o leva à vontade da fidelidade para com o amor de Deus e para com o próximo, em amor.

Pense nisto:

A GRAÇA DE DEUS NÃO É A GRAXA DE DEUS!

Caio

http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=02428

 
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